O mercado brasileiro de lubrificantes
02/10/2011Em um mercado ainda carente de informações mais precisas e também de uma consolidação de números reais, a tarefa de pesquisa deve ser minuciosa, sendo também muito importante o cruzamento dos dados obtidos com os diversos agentes do mercado.
Para a elaboração dos parâmetros do mercado para o ano de 2009, a equipe da LUBES EM FOCO realizou uma extensa pesquisa analítica com os números de comercialização, produção, importação e exportação de óleos lubrificantes básicos e acabados, e também, separadamente, com o mercado de graxas. Algumas imprecisões das informações oficiais, devido à adoção de critérios diferenciados pelos diversos agentes para as classificações dos óleos comercializados e, principalmente, devido à dificuldade de obtenção de números consolidados dos pequenos produtores, fizeram com que se adotasse, como prática comum, a terminologia de "mercado aparente", quando consideramos o mercado brasileiro de lubrificantes.

A queda dos números, com relação ao ano de 2008, já era esperada, uma vez que a crise econômica mundial causou grande impacto no crescimento industrial, principalmente no primeiro semestre de 2009. O que se verificou foi uma queda perto dos 8,8% para o mercado total, se considerarmos a inclusão dos movimentos de importação e exportação, que apresentam números relativamente dissonantes com sua média histórica. Considerando apenas a produção e comercialização local, podemos admitir uma queda de 7,7% para o mercado brasileiro.
Após a queda vertiginosa nos dois últimos meses de 2008, o mercado de lubrificantes iniciou 2009 em compasso de espera, mantendo, em janeiro e fevereiro, praticamente os mesmos volumes do fim do período anterior, somente iniciando uma retomada a partir de março, tendo seu pico de volume no mês de julho a partir do qual iniciou um movimento de queda que durou até o fim do ano.
A análise do ano passado mostrou que o mercado de óleos classificados como industriais teve uma queda muito mais acentuada do que o de óleos automotivos, e isso pode ser creditado ao incentivo dado pelo governo à indústria automobilística, ao reduzir o IPI dos automóveis durante todo o primeiro semestre. Para se ter uma idéia mais precisa, a queda do mercado de óleos industriais atingiu 11,4%, enquanto o mercado de automotivos caiu apenas 5,5%.

As dificuldades de consolidação dos números também têm um ponto importante na classificação dos óleos industriais. Em nossa pesquisa, estamos considerando que óleos hidráulicos e de engrenagens estão inclusos nos industriais e não estamos considerando os óleos isolantes como participantes do mercado analisado.
Ao apresentarmos o número 2.217.000 metros cúbicos para o mercado total de 2009, não estamos considerando o volume de graxas, diferentemente do número apresentado em 2008, no valor de 1.395.000 metros cúbicos, que incluía esse segmento.
A coleta
De acordo com os dados fornecidos pelo Sindicato Nacional da Indústria do Rerrefino de Óleos Minerais - SINDIRREFINO, a região Nordeste foi a única região brasileira que não conseguiu atingir a meta de percentual de coleta fixada pela Resolução Interministerial nº 464, de 30 de agosto de 2007.

Importações
A queda das importações de óleo acabado, comparativamente ao ano de 2008, foi de 27,8% e contribuiu significativamente para que o fechamento no número final de mercado ficasse ainda menor. Em um cenário em que as importações de óleos lubrificantes sem aditivos caíram perto de 26,5%, o número total das importações em todas as categorias possíveis para lubrificantes apresentou uma queda de apenas 18%. Isso se deveu aos significativos aumentos de importações nas classificações (NCMs) de óleo branco e de "outros", ambas acima de 65%. No caso dos óleos minerais brancos, o volume na casa dos 46 milhões de litros superou o volume importado da classificação "óleos com aditivos" em todo o ano de 2009.
A diversidade de classificações para importação e exportação de óleos lubrificantes aumentam o grau de dificuldade na hora de consolidar os dados para o mercado. Existem, no mínimo, sete classificações (NCMs) que teoricamente podem ser utilizadas para se enquadrarem os lubrificantes importados, sendo algumas até sujeitas a interpretações diferentes para o mesmo produto.
Expectativas
O mercado brasileiro de lubrificantes vive a expectativa de uma recuperação do setor industrial, bem como do país com um todo, no ano de 2010, o que traria um impacto positivo em seu volume comercializado. O PIB Industrial traz uma previsão de crescimento para esse ano, colocando mais máquinas, equipamentos e veículos em circulação e, portanto, mais lubrificantes em uso.
Além disso, existe sempre a expectativa de se chegar a uma consolidação mais efetiva dos números de mercado e também da continuidade do Programa de Monitoramento da Qualidade dos Lubrificantes, trazendo uma constante melhora da qualidade dos produtos comercializados e da contabilidade dos consumidores.
Fonte: Revista Lubes em Foco (jan. 2010)